quinta-feira, outubro 09, 2008

DO CARVÃO AO DIAMANTE


Eu estava vendo televisão e, passando de um canal a outro, vi num trecho de um filme alguém dizendo: “O que nos assusta é nossa luz, não a nossa escuridão.” Ao fundo uma música country dizia: “Hoje posso ser um pedaço de carvão, mas amanhã serei um diamante.”


Foi um daqueles momentos que tenho, de ouvir uma frase e começar a pensar sobre isso. Fico remoendo palavras e imaginando o que há de verdade nelas.

Será que nossa luz realmente nos assusta? Porque o que me parecia é que quando perdemos o controle e ‘soltamos os cachorros’ em alguém é a situação em que ficamos assustados. E vi outro lado nisso: quando ‘enlouquecemos’, depois ficamos orgulhosos de nós mesmos. E achamos que estamos conseguindo fazer o que os outros sempre dizem: Não permita que ninguém seja mau com você! Reaja! Seja forte e brigue pelo que quer! Defenda suas idéias a qualquer custo, estejam elas certas ou não!


E aí pensei sobre essa tal luz. Que luz é essa que nos assusta? A virtude do perdão, por exemplo, é uma luz? Dizem que se a gente perdoar tudo estará mostrando fraqueza e falta de auto-estima. Que estamos sendo fracos porque não temos coragem de contestar, enfrentar e defender pontos de vista. Que é preciso espantar os outros para que tenham medo de nós, porque o medo é que garante a sobrevivência das espécies... Tanta coisa nos é dita, tantas verdades vem prontas na bandeja. Temos medo de perdoar porque pode ser considerada uma fraqueza.


Ou a tal luz é o amor? Porque amar nos deixa vulneráveis, cheios de confiança em outra pessoa, prontinho para ser magoado, segundo dizem... Medo de novo. Medo de sofrer, de perder, de desapontar, de não ser correspondido. Assusta-nos, de certo.


A luz pode ser a verdade. Porém, admiti-la pode ser doloroso também. Será que toda luz é amarrada a alguma dor? Temos medo de enfrentar nossas verdades porque elas nem sempre têm brilho, glamour... A verdade nua pode ser bem feia. No entanto não é de beleza que se vive. Mentiras são castelos construídos no ar, um dia caem...


Poderia listar tantas outras virtudes, mas de fato podemos encontrar em todas elas o medo. E o medo é algo que vive sempre no futuro, é sempre medo de algo que possa acontecer. Afinal, se acontecer, você já terá enfrentado seus temores, e estará livre para não temer mais nada. Queremos esta liberdade? Ou ela também é uma luz que nos assusta?


Se não tivermos medo da luz, podemos ser mais completos e seguros para conhecermos o perdão, o amor, a verdade, a liberdade? Talvez este seja o processo de transformar o pedaço de carvão em diamante, forjado a altas temperaturas até que se torne tão nobre. Eu só afirmo que um diamante é sempre um diamante, mesmo que não seja lapidado para mostrar a beleza que esconde por dentro. E lá dentro tem uma espécie de multiplicador de luz, coloque um diamante contra a luz e verá o que pode acontecer. Coloque o seu diamante interior contra a luz e contemple suas virtudes.

4 comentários:

Nelson disse...

O problema da luz, talvez não seja a sua existencia mas sim o sabrmos que é apenas temporária. Assim o medo surge de não aproveitarmos a luz presente com medo do futuro sem ela.
Talvez...

DayDreamer disse...

Contemplar o diamante interior. Legal isso!

Fernanda disse...

Engraçado que hoje eu estava vendo esse filme... e por isso entrei na net para saber quem era o cantor, pois a frase me tocou também!!!!

Carla Oliveira disse...

È um fato precisamos dar mais valor as coisas importante e não as fúteis. Ótimo blog. Abraaaa